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Entrevista exclusiva: MOZART COUTO

 

Por Magno Soares

magnosoares@ligazine.com.br

Nesta entrevista concedida a Liga Fanzine, vamos conhecer um pouco mais de Mozart Couto, desenhista que está na labuta desde 1979, trabalhando com várias técnicas como 'bico de pena', aquarela, guache, acrílicas e arte digital e já teve seus trabalhos publicados no Brasil, Europa e Estados Unidos.

Mozart Couto nasceu em 27 de março de 1958 no Estado das Minas Gerais. Mozart Cunha Couto, ou simplesmente Mozart Couto, desde a infância já mostrava seu talento, e 1979, aos 23 anos inicia sua carreira profissional colaborando com a Gráfica Editora do Paraná (GRAFIPAR).

Desde então, trabalhou com diversos gêneros de Histórias em Quadrinhos. No eixo Rio-SãoPaulo publicou nas revistas ‘Calafrio’ e ‘Mestre do Terro’ pela D’Arte, ‘Mad’ pela Editora Record e trabalhou na Press Editorias e Nova Sampa, entre outras.

A partir de 1988, ele entrou no mercado Europeu com as publicações de 'Álbuns' e 'Tiras de Jornais' em países como Bélgica, França, Alemanha, Dinamarca e Holanda. Cinco anos mais tarde, Mozart se aventura no mercado americano de HQ e colaborou com diversas editoras: Marvel Comics, DC Comics, Acclaim Comics, Dark Horse e Image. Entre os personagens americanos, desenhou a Mulher Maravilha, Hulk, Elektra, Turok, Glory, Gamera e outros. Atualmente Mozart Couto está trabalhando na ilustração de livros didáticos e para-didáticos no mercado nacional.

Na Editora Moderna, ilustrou o ‘A Carta de Pero Vaz Caminha’ que recebeu a indicação de ‘Altamente Recomendável’ pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIF) - Seção brasileira do International Board On Books For Young People (IBBY). Na Ave-Maria, o livro ‘Nosso Folclore’, levou o ‘Prêmio Jabuti’ como melhor livro didático de 1999. Também trabalhou com ilustração com as seguintes editoras: FTD, Saraiva, Ática, Melhoramentos, Paulinas e Record (na última, ilustrando livros nos gêneros policial: ‘Coleção Negra’; e terror: ‘Depois’, ‘Visões da Noite’ e ‘A casa do passado’.

LIGA FANZINE: Então vamos ao início... Com que idade e como você descobriu que queria ser desenhista?

MOZART COUTO: Desde muito garoto eu desenhava. Já com uns quatro anos, eu desenhava com freqüência, e já conhecia os quadrinhos. Eu desenhava em seqüência, fazia os balões e pedia meu pai para que escrevesse a história que eu ia ditando neles. Como na minha família (pais e tios), todos admiravam os quadrinhos, eles já falavam que eu seria um desenhista de quadrinhos.

Você produziu ou participou de fanzines? Em quais?

Sim, para muitos! O Primeiro deles acho que foi o ‘Historieta’, do Oscar Kern, depois vieram ‘Hiperespaço’, ‘Factus’, ‘Tchê’, e vários outros. Atualmente fiz algumas coisas para o 'Voyeur'.

O que você acha do Fanzines?

Eu acho que são muito importantes, não só para os amadores que curtem ver suas idéias e trabalhos divulgados, publicados, mas porque permitem aos jovens iniciantes a produzir e até a entrarem em contatos com o trabalho de outros. E a melhor coisa mesmo que os fanzines têm é a liberdade total, além de ser um "ponto de encontro" entre profissionais e amadores.

Eles tiveram alguma influência na sua carreira?

No sentido de serem aquele ponto onde você pode trabalhar com inteira liberdade, sim!

Você tem idéia porque o Brasil não produz HQ nacionais em larga escala?

Porque nós não temos auto-estima. Somos uma colônia de exploração até hoje. Não investimos no nosso país e preferimos achar que a cultura, a realidade de outros é melhor do que a nossa.

Parece que as editoras brasileiras estão começando a investir em quadrinhos de autores nacionais... Será que dessa vez a produção nacional emplaca?

Eu não tenho visto isso não. Sei sim, que alguns editores, apaixonados por quadrinhos, fazem o que podem pra não deixar a coisa acabar de vez, mas para um profissional viver de quadrinhos, é impossível hoje.

Você tira seu sustento do seu trabalho como desenhista?

Ainda sim, mas está cada vez mais restrito esse campo.

Você produziu muita coisa no Brasil... Qual trabalho mais lhe deu prazer em realizar?

É difícil escolher um. Mas certamente os que eu mais gosto de fazer são aqueles em que sinto total liberdade pra realizar.

Fale um pouco de seu trabalho como ilustrador de livros didáticos e para didáticos.

Como os quadrinhos estavam já desmoronando, e eu queria trabalhar em algo mais 'solto', com cores, resolvi partir para os trabalhos com ilustração, e através de uns colegas, consegui um espaço nesse mercado. No primeiro ano, ilustrei um livro que ganhou o ‘Prêmio Jabuti’ e outro que foi apontado como ‘Altamente Recomendável’ pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Infanto-Juvenil. Os dois mais importantes prêmios nessa área.

A partir de 1993, você começou a trabalhar no mercado americano de HQ para diversas editoras. Como se deu essa jornada?

O (Mike) Deodato convidou-me a ajudá-lo na produção que era muita. Como sempre nos demos bem nos trabalhos que fizemos, aceitei. Mas não foi muito agradável porque eu descobri nessa época que estava muito cansado de desenhar quadrinhos, e também não me adaptei ao estilo americano e às exigências desse mercado. Então, durou pouco. Resolvi sair fora e seguir outros caminhos.

Você disse que estava cansado de desenhar quadrinhos, como assim cansado? O que lhe levou a cansar de desenhar?

Eu me cansei até fisicamente. Foram muitos anos trabalhando ininterruptamente com quadrinhos, e nessa época eu tinha que produzir muito rápido e desenhos muito elaborados e muito 'limpos', bem definidos, para o arte-finalista trabalhar bem. Eu estava também querendo trabalhar com cores, e com estilos mais soltos, fora da estética mais usualmente aceita pelos leitores de quadrinhos. Precisava mesmo dar um tempo.

Quais seus próximos projetos no Brasil e no Exterior?

Eu só quero trabalhar em algo que me deixe produzir sem ser massacrado por prazos loucos, para que eu possa fazer coisas boas.

Qual sua rotina de trabalho?

Acordo geralmente as seis ou sete e desenho das oito até o meio dia ou treze horas. Paro para almoçar, descanso, e volto às catorze e trinta mais ou menos. Vou até as dezoito, dezenove horas. Trabalho no sábado de manhã e algumas vezes (bem raras) no domingo de manhã. Dentro desse tempo eu consigo produzir com boa eficiência.

Qual seu conselho para aqueles que estão começando nos quadrinhos?

Preparem-se porque a coisa não é bem como parece ser. É um caminho difícil e cheio de desilusões. Atualmente, é um mercado cada vez mais restrito. Mas desenhar quadrinhos, aprender a desenhar quadrinhos, é o melhor treinamento em arte que uma pessoa pode ter. Quem sabe fazer bem quadrinhos, está preparado pra qualquer tipo de trabalho nessa área de arte, designer, etc.

E uma mensagem para os nossos leitores?

Sejam vocês mesmos.

 

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Mozart Couto

Site: www.mozartcouto.com

E-mail: mcouto@mozartcouto.com

 

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