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Entrevista exclusiva: JEAN OKADA

 

Por Magno Soares

magnosoares@ligazine.com.br

Conseguimos uma nova entrevista exclusiva, agora concedida por Jean Okada. que “é ilustrador e desenhista de histórias em quadrinhos. Nessas duas áreas, realizou trabalhos para editoras importantes (e algumas mixurucas também )”.

Começou sua carreira procurando emprego em estúdios através de classificados e desde então continua na batalha, fez dezenas de ilustrações para livros didáticos de editoras como Ática, Moderna e Paulinas. Nos quadrinhos, fez alguns gibis de super-heróis e eróticos. Foi arte-finalista do gibi de ficção-científica Space Warriors, da Editora Escala, e em 1997 desenhou uma HQ, também de ficção-científica, para a revista Metal Pesado. Foi também roteirista e desenhista do gibi infantil Turma do Barulho, publicado primeiro pela Editora Abril, e depois pela Press Editorial. Além de ter tido uma pequena participação num seriado de animação veiculado no site BrTurbo.

“Fazer gibis que a molecada pudesse comprar nas bancas”, era a vontade de Jean ao decidir-se em ser desenhista, e competência para isto ele tem. Em seu site, www.okadarte.hpg.com.br, têm algumas HQ, desenhos e rascunhos, e pudemos constatar a arte de Jean. Além de eclética (Jean desenha de super-heróis a personagens infantis), a arte é limpa, sem desperdício de linhas e com ótimo domínio da Luz e Sombra. Jean também mescla “papel e lápis” com “monitor e mouse” obtendo ótimos resultados.

Jean Okada têm opiniões fortes, sem meias palavras. Na entrevista vamos conhecer seu inicio de carreira, seu processo criativo, rotina de trabalho, o que ele usa para desenhar e, claro, suas opiniões sobre os fanzines e os fanzineiros, sobre o quadrinho nacional e seu mercado, e muito mais.

 Liga Fanzine: Quando você percebeu que queria trabalhar com o desenho?

Acho que foi mais ou menos no final da adolescência. Nessa época a gente é mais ou menos obrigado a decidir o que vai fazer na vida, e eu descobri que nada me dava mais prazer do que desenhar.

Como se deu seu inicio nos quadrinhos?

Olha, nos QUADRINHOS eu estou "começando" até hoje... É uma espécie de maldição dos que querem fazer quadrinhos neste país: vivem todos num eterno "começar". Veja o exemplo do Flávio Colin, que era um desenhista tão experiente e vivido, e tinha tanta dificuldade pra publicar seu trabalho quanto um iniciante. Mas meu começo como DESENHISTA foi do mesmo jeito que muita gente começa: procurando empregos de desenhista nos classificados. Um dia vi um anúncio de um estúdio no centro de São Paulo, e resolvi ir até lá. Fui aceito, e comecei a trabalhar na equipe do estúdio, fazendo "trabalhos-fantasma" - como aqueles montes de desenhistas que trabalham pro Mauricio de Sousa, mas é só o Mauricio quem assina. Fiquei vários anos trabalhando nesse esquema, e desenhando vários livros didáticos (principalmente), revistas de atividades pra crianças e coisas do tipo.

Você tem formação acadêmica?

Não. Nem de desenho nem de coisa alguma. Se não soubesse desenhar, acho que estaria vendendo cachorro-quente na rua. Não que isso seja um trabalho indigno, claro.

Fez cursos específicos para HQ?

Na época em que eu comecei a me interessar por desenho, não havia cursos de desenho. Não como hoje, em que existe uma escolinha de desenho em cada esquina. Estão competindo com as padarias, já. Mas - sem querer ser maldoso - eu tenho dúvidas da eficiência desses cursos, no que se refere ao ensino de HQ. Os desenhistas que montam essas escolas são pessoas dignas de todo respeito, e ao que parece eles têm formado ótimos DESENHISTAS e ILUSTRADORES, mas não vejo bons QUADRINHISTAS surgindo desses cursos. Minha geração até que teve sorte, pois nós crescemos vendo os trabalhos de gente como Rodolfo Zalla, Eugenio Colonnese, Flávio Colin, Jonh Romita Sr., Jack Kirby... Enfim, pessoas que entendiam MUITO de quadrinhos, de sua linguagem. A geração de hoje, porém, cresceu lendo material da Image e similares, e quando fazem uma HQ, o resultado não é dos mais felizes. Muitas HQs têm erros básicos de narrativa, certas seqüências chegam a ser incompreensíveis. Claro que estou generalizando, não deve ser todo mundo assim, mas eu acho que se um curso desses aí se propõe a ensinar quadrinhos, então ele PRECISA ENSINAR MESMO. Caso contrário, exclua essa disciplina de seu curso. E se o aluno não aprende, a culpa não é dele, é do professor. Uma coisa que eu acho triste é que os garotos que saem desses cursos podem sair bastante decepcionados, pois muitos deles não vão encontrar trabalho. Até pros "veteranos" é difícil fazer uma revista e mantê-la nas bancas.

Fale um pouco de seu processo criativo ao dar vida a uma nova história?

Agora você me pegou, porque as (poucas) HQs que fiz até hoje foram feitas com roteiros de outras pessoas. Isso porque sempre fui muito auto-crítico com as coisas que eu escrevia, tenho uma insegurança enorme pra isso. Só recentemente comecei a escrever meus próprios projetos, simplesmente porque nenhum roteirista que eu conheço quer escrever histórias do tipo que eu quero - ou melhor, PRECISO - fazer. Eles estão ocupados demais tentando ser Warren Ellis, hehe. Acho que meu "processo criativo" é igual ao de todo mundo. As idéias não surgem do nada; elas são basicamente uma combinação das coisas que você viveu e das coisas que você leu. Às vezes uma história surge de um tema que você gostaria de abordar, ou até de uma bobagem qualquer que você viu na televisão, ou na rua. Elas não têm hora nem local pra aparecer.

Pergunta básica: Quais suas influência e como elas influenciam em sua arte?

Cada pessoa que vê meu desenho diz uma coisa. Uns dizem que meu desenho parece americano, outros dizem que ele é europeu, ou então que tenho influência de mangá. Eu NÃO SEI com o quê ele se parece. O único sujeito que eu reconheço como influência - até hoje - é o norte-americano Russ Manning, um dos melhores desenhistas que o Tarzan teve. A molecada de hoje nunca deve ter visto um desenho dele. Pode ser que eu tenha influência de outros desenhistas, mas não tenho consciência disso. Nos quadrinhos, minha influência é dos italianos, aquela narrativa cinematográfica.

O que você usa para desenhar?

Lápis de cor azul (ou preto 2B) pros esboços, lapiseira 05 pra definir os traços, e arte-finalizo com bicos-de-pena, pincel e caneta desegraph (principalmente pra fazer os detalhes).

Qual seria o material de estudo obrigatório de quem gosta de desenhar?

Acho que alguns livros básicos de desenho podem ajudar (como aqueles do Burne Hogarth, mas custam os olhos da cara). Os donos de escolas de desenho que me desculpem, mas eu não acredito em cursos. O melhor jeito de aprender a desenhar é tentar trabalhar em algum estúdio. Mesmo aqueles que só produzem material infantil (acreditem, os caras que desenham Mônica sabem desenhar muito mais do que aquilo!). Passe uns tempos trabalhando num lugar desses. Não há jeito mais eficiente de aprender desenho do que ver um profissional trabalhando. Se esse cara for legal, ele pode te dar boas dicas de desenho.

Você participou/editou fanzines?

Nunca editei fanzines, mas cheguei a participar. Bem pouco. Não sei se peguei os fanzines "errados", ou se isso era só um reflexo do momento que os zines viviam, mas eu achava meio chato participar deles. Bom, claro, eu também nunca fui um quadrinhista prolífico, então minha produção pra esse tipo de veículo nem poderia ser grande, mesmo se eu quisesse. Mas eu achava meio chato participar de fanzines naquela época (final dos anos 80). Os fanzineiros reclamavam muito, diziam sempre que o mercado era difícil, que eles não conseguiam espaço, que as editoras não davam chance pra ninguém, etc. A mesma conversa de hoje. Além disso, tinha uma coisa que me incomodava, que era o alcance restrito dos fanzines. Era um tipo de produção que só alcançava o próprio público de fanzines. Uma espécie de autofagia. Os zineiros só consumiam o que produziam: "se não for fanzine, não é bom". Isso não configura um crime, claro, mas o que eu queria mesmo era fazer gibis que a molecada pudesse comprar nas bancas. Serei um quadrinhista com alma de camelô?

Concordo com você, essa questão ‘se não for fanzine, não é bom’ é contraditória. Acredito que todo zineiro quer que seu trabalho seja publicado em revistas de banca, mas ele esquece que ao alcançar isto, seu fanzine deixa de ser fanzine. Então ele próprio acaba desvalorizando seu trabalho.

Pois é, mas como eu disse, isso foi naquela época. Pode ser que hoje em dia as coisas tenham mudado. Pra mim, o fanzine existe pra que você ir aprendendo a fazer uma revista até se tornar um profissional. Se bem que, no caso das HQs, o mercado está tão ruim que pra alguns autores o fanzine se tornou o PONTO ALTO de suas carreiras. O que seria cômico, se não fosse TRÁGICO.

Qual a maior dificuldade do quadrinho nacional se estabelecer?

Xii, esta é a pergunta que mais se vê em bate-papos entre quadrinhistas, e ninguém nunca chega a uma conclusão. Sinceramente? Eu não acho que os quadrinhos nacionais possam se estabelecer - não no sentido de vê-los nas bancas vendendo milhões de exemplares por mês e seus autores ficarem ricos, comprarem mansões, iates e casarem-se com top models... Se alguém quer ficar rico, é melhor deixar os quadrinhos de lado e virar pagodeiro - se é que esse filão já não acabou. Mas eu acho que as pessoas não compram gibis porque ainda não sabem o quanto eles são legais, e as editoras, junto com os autores (principalmente) podiam fazer eventos de quadrinhos que não fossem voltados apenas pros nerds, mas algo que chamasse a atenção do povo, mesmo. Os autores precisam sair um pouquinho mais da toca e ir pra rua. Falar com o povão. Porque nas outras mídias, como cinema, teatro e televisão, todo mundo vê a cara dos artistas. No quadrinho, não. Eu tenho a impressão de que isto enfraquece muito a presença dos quadrinhos na vida das pessoas. Se elas não vêm os artistas, então eles não existem. É como se os gibis surgissem nas bancas por geração espontânea - ninguém sabe de onde eles vêm. Talvez fosse uma boa mostrar pro Zé Povinho que os gibis vêm de um lugar, sim (talvez não de um lugar muito limpo, mas...), e são feitos por pessoas de carne e osso, igual a todo mundo. Mesmo assim, eu não acho que alguém poderia ficar rico fazendo quadrinhos. Mas deve ser possível, ao menos, viver dignamente.

Li em algum lugar, que o grande problema do quadrinho nacional é querer se utilizar da cultura estrangeira (principalmente a norte-americana, com seus super-heróis), uma vez que nossa cultura é riquíssima e criaria identificação com público. O que você acha disso?

Houve um tempo (até um ou dois anos atrás) que eu acreditava cegamente que todo autor brasileiro tinha OBRIGAÇÃO de falar sobre o Brasil em suas HQs. Hoje em dia, eu acho que o autor não tem obrigação de fazer NADA. A única obrigação que ele tem é de CONTAR BOAS HISTÓRIAS. Não importa se elas se passam no Brasil, nos EUA ou em outro planeta. É óbvio que, aqui, estou falando apenas do aspecto "comercial" dos quadrinhos; depende também do que você quer fazer dentro dessa mídia. Eu falo de HQ como NEGÓCIO: as revistas, como todo mundo sabe, são mais consumidas no eixo Rio-São Paulo. Ou seja, em ambientes urbanos, que estão muito longe do folclore rural que muitos defensores da HQ "genuinamente brasileira" querem que os nossos gibis enfoquem. Fazer HQs sobre cangaceiros dificilmente teriam sucesso comercial, pois, apesar desse tema pertencer à cultura brasileira, ele está muito distante da realidade de um moleque que vive na Grande São Paulo e está acostumado a video-games e shopping centers. Não digo que os autores devam deixar esses temas de lado - contanto que eles não se importem com as (baixas) vendas da revista. Se a intenção é buscar mercado, então esqueça. Talvez só uma editora regional pudesse lucrar com isso, mas mesmo assim tenho dúvidas. Eu realmente acho que o que mostra a nacionalidade de uma HQ (ou de qualquer outra mídia) é a MANEIRA como ela é feita, e não o tema que ela aborda. Por exemplo: as revistas da italiana SERGIO BONELLI EDITORE têm um elenco de personagens quase que totalmente americano. No entanto, em hipótese alguma se pode afirmar que aqueles senhores fazem quadrinhos americanos, pois seus "fumetti" são absolutamente diferentes dos "comics". Então, o que eu costumo dizer às pessoas que fazem HQ por aqui é: de preferência, faça uma história ambientada no Brasil; mas se você for fazer "só por fazer" ou só por "obrigação", então procure outro cenário pra sua HQ. Nesse raciocínio de "mostrar o Brasil só pra ser simpático às patrulhas ideológicas", nós acabamos fazendo coisas HORRIPILANTES como "Spirit of Amazon" e "Terra-1". Que isso não aconteça NUNCA MAIS!

Como você vê o atual panorama do quadrinho no Brasil e no exterior?

Dizem que a HQ vai mal no mundo todo, né? Sei lá. Nos EUA, eu acho que a crise é mais com o quadrinho mainstream, sempre acostumado a vender muito, e quando passou a vender menos do que os executivos queriam, o povo entrou em desespero. Quanto ao material das outras editoras de lá, pelo que sei, está como sempre esteve: vendendo mais ou menos, o suficiente pra manter as coisas funcionando e pagar os colaboradores. O mercado norte-americano sempre foi assim: Marvel, DC e "as outras". Mas parece que ainda existem mercados mais saudáveis aí, pelo globo. Como na Índia, que, segundo a professora Sonia Bibe Luyten, é o maior mercado de quadrinhos do mundo. No Brasil, eu não sei. Todos falam que nosso mercado está mal. Mas quando esteve bem? O único medo que eu tenho, por enquanto, é que isso aqui fique igual aos EUA: os quadrinhos irem todos pras "comic shops" e desaparecerem das bancas. Porque se isso acontecer, JÁ ERA, neguinho. Pode esquecer todos os seus sonhos de fazer disso aqui um mercado decente. Porque quem vai aos comic shops são só os nerds mais velhos, que vão continuar visitando esses lugares só por mais alguns anos, até morrer. E o público não vai se renovar, porque todos estão acostumados com a idéia de que o lugar dos quadrinhos é NAS BANCAS. Comic shops não ajudam a renovar o público. A culpa também é do quadrinho nacional, que não coloca muita coisa boa na banca. São sempre aqueles quadrinhos infantis bobocas de sempre, e quando se faz quadrinhos "adultos", são tão bobos quanto os infantis, só que com desenhos realistas. Há exceções, claro, mas foram muuuito poucas e as editoras não puderam investir o suficiente... As revistas fecharam no número um e ninguém viu.

Quais seus projetos futuros?

Ah, eu estou fazendo algumas coisas aí. É cedo pra dizer. Mas 2003 deve ser um ano bonzinho pra mim.

Dê uma dica do que podemos esperar. Ou é segredo de estado?

Se eu contar, os "Homens de Preto" me matam. Mas não tenho intenção de criar expectativas. Vou logo fazer o CONTRÁRIO do que os "gênios" do quadrinho nacional fazem e dizer que minha HQ não tem nada de genial, nem de original. Eu não tive nenhuma grande idéia. É um trabalho 100% despretensioso. O máximo que eu quero alcançar com aquilo é emocionar as pessoas que o lerem. Se conseguir isso, ficarei mais do que feliz. Ah, e as patrulhas ideológicas aí já podem começar a preparar suas armas automáticas: essa HQ não se passa no Brasil!

Você atualmente sobrevive dos quadrinhos?

Não, não... Isso é impossível. Não só porque minha produção é pequena, mas porque as editoras pagam pouco. E elas pagam pouco porque vendem pouco. Eu (sobre)vivo fazendo desenhos pra material institucional. Mesmo assim, continuo fazendo HQ. Por quê? Não sei. A relação dos quadrinhistas com os quadrinhos é meio de "amor bandido". A gente vive se ferrando por causa dos quadrinhos, diz que vai largar, mas no fim nós sempre voltamos e dizemos "Eu te amo". É uma coisa irracional, mesmo. O homem é um animal incoerente.

Quadrinhos, realmente, só por paixão... Você não consideraria trabalhar no mercado americano? Por quê?

Não, por duas razões: primeiro, porque seria muito stressante; segundo, porque eles precisam que o trabalho seja feito com uma velocidade de que eu não sou capaz. Tudo precisa ser feito de maneira tão rápida que a gente nem consegue curtir o que está fazendo.

Como é sua rotina de trabalho?

Totalmente caótica, e muda de acordo com meu estado de espírito. Mas estou tentando me disciplinar um pouco. De modo geral, é assim: acordo às 8h00, faço as coisas que todo mundo faz de manhã, e começo a trabalhar entre as 9h00 e 9h30. Paro pro almoço (que varia entre 12h30 e 14h00), vou trabalhando até às 20h00. Hora do jantar, vejo alguma coisa na TV, fico um pouco com a família, e desenho alguma coisinha até às 23h00.

O que você aconselha aos iniciantes na arte seqüencial?

Se puderem viver sem fazer quadrinhos, então caiam fora. Mas se ficarem, não reclamem. O "mercado" é difícil mesmo, mas se eu achasse que é impossível viver disso, já estaria na rua vendendo cachorro-quente. Pense nisso: nos EUA, o quadrinho está em crise (principalmente) porque há muito tempo as editoras deixaram de vender em bancas; tudo vai direto pras comic shops, que é freqüentado pelos nerds de sempre. Não há renovação de público, pois este não encontra mais gibis nas bancas e nem sabe que existem lojas de quadrinhos. E esses nerds que freqüentam as comis shops vão morrer logo, logo. Deu pra perceber o futuro sombrio dos "comics"? Mas olha só: NÓS ainda temos gibis em bancas! Ainda dá tempo pra fazer alguma coisa. Claro que ninguém deve ter a ilusão de que sua revista vai vender milhões. Não vai. O público de quadrinhos neste país é muito pequeno - temos analfabetos demais. Por outro lado, "Dragon Ball" está vendendo suas milhares de cópias, e esses milhares de leitores vieram de algum lugar. Ainda acho que é possível fazer alguma coisa, se você se dispuser a BUSCAR os leitores - em vez de fazer como a maioria, que quer publicar só pra satisfazer o próprio ego. Então, vamos parar de nos acharmos os "reis da cocada preta", vamos parar com as briguinhas bestas, com a inveja, e vamos ser mais auto-críticos com nosso trabalho. Porque o que eu mais vejo são roteiristas cheios de idéias geniais, mas que não vêem que as histórias deles já foram contadas uns 4 milhões de vezes. Tratem o público com carinho. Leitor não é prostituta. Não é só mostrar um gibizinho que ele vem. Leitor é NAMORADA! Você precisa CONQUISTAR!

Mande uma mensagem para nossos leitores?

Provavelmente só pessoas interessadas em quadrinhos vão ler isto aqui, então meu recado vai pra elas. Existem pistas, meus amigos, sobre que tipo de gibi poderiam interessar nossos leitores. Nosso povo é fã de novelas. São ávidos consumidores de folhetim! Dêem graças a Deus por trabalharem nos quadrinhos, pois nossos folhetins são superiores aos da televisão. Olhem que tipo de gibi se mantém nas bancas: Tex, Mônica e, recentemente, os mangás. Adivinhou o que eles têm em comum? Exato, são folhetins. Então pense nisso quando for pensar em fazer seu gibi. A menos que você queira ser um desses nerds que fazem quadrinhos "intelectualóides" que só seus amigos vão ler. É pra essas pessoas, ávidas por folhetins, que nós trabalhamos.

   

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Jean Okada

site: www.okadarte.hpg.com.br

e-mail: okadarte@ieg.com.br

 

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