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Por Magno Soares |
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30 anos de um casamento bem
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Seu nome é Emir Lima Ribeiro, ele tem 43 anos e mora em João Pessoa-PB. É casado há 19 anos e tem dois filhos, um com 18 e outro com 15 anos. Sua carreira nos quadrinhos iniciou-se em 1969 e em 1973 nos presenteou com a bela loira sexy VELTA que saltou de uma pintura a óleo para as HQs. Em comemoração aos 30 anos de de Velta, ainda para este ano, nós, leitores e admiradores que ganhamos o presente, a edição comemorativa '30 anos de Velta' pela Ópera Graphic e um livro de bolso, "o qual é uma reapresentação mais profissional dos contos publicados no fanzine 'Zat Contos'", diz Emir. |
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Agora fique com o "bate-papo" e saiba como ele iniciou sua carreira, quais os projetos atuais e futuros. |
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Boa Leitura a todos,
EMIR RIBEIRO – Na verdade, após a estréia nos jornais, eu comecei editando revistas independentes, e não fanzines, pois elas eram impressas em off-set, em gráficas, com capas coloridas e tudo o mais. Numa das revistas da antiga EBAL, vi o endereço do José Jefferson Barbosa de Aquino (hoje falecido), comentando sobre fanzines, enviei-lhe um exemplar da então 'Welta' e depois daí conheci outros fanzineiros. Meus fanzines, até o 'Minizine' de 1989, sempre foram impressos em off-set, e só passei a usar fotocópias após esse ano, devido à subida dos preços de impressão. A conotação das edições era sempre de quadrinhos mesmo. Você ainda edita fanzines? Hoje não edito nenhum. Os últimos editados foram interrompidos em 2000. Porém, ainda tenho as matrizes destes, em estoque, e ainda os vendo pelo correio, como números atrasados. Eram: 'ZAT', contando os bastidores da minhas produções de quadrinhos, como muitos desenhos, matérias ilustradas e reproduções de antigas HQs; 'ZAT CONTOS' somente de textos escritos na forma romanceada, das aventuras de Velta e Nova; e 'MOLHADAS & FOGOSAS', com a reprodução do material erótico publicado nas editoras Paulistas.
Ela nem foi criada especificamente para quadrinhos. Nasceu de uma pintura à óleo, e três meses depois, como fui designado editor de um jornal escolar, pensei em publicar quadrinhos usando a dita loura pintada como personagem. Dois anos depois, em 1975, com a repercussão adquirida no jornal do colégio, publiquei-a profissional e simultaneamente em dois jornais de circulação estadual. Somente em 1978 travei contatos com outros fanzines, e nesta época, já lançava revistas, que iam para as bancas de três estados do Nordeste. Então você começou grande... (risos) Que revistas, jornais e Estados eram esses em que Velta era publicada antes dos fanzines?/ O título era "Welta". Inclusive registrei a publicação no então Serviço de Censura e Diversões Públicas da Polícia Federal. Tudo legalizado. A distribuição ocorreu nos estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Já os jornais, foram todos paraibanos: 'A União', 'O Norte' e 'O Correio da Paraíba'.
A novidade é vê-la nas bancas do país inteiro, pois já a vi em estados próximos. É gratificante, sem dúvida, e especialmente por saber que o material está sendo do agrado da grande maioria dos leitores. Um bom sinal, portanto. E pode crer: vem mais por aí, dentro em breve. Todo aspirante das HQ sonha com a publicação nas bancas. O retorno é o esperado? Se for pelo aspecto financeiro, não é. Ninguém consegue viver ou sobreviver com o dinheiro ganho com quadrinhos. Porém, o retorno em forma de opiniões, críticas, elogios, comentários e sugestões, pelo público – este sim - é um retorno mais do que o esperado. Por que será que o Brasil não consegue criar o seu próprio mercado produtor de HQ? É um emaranhado de problemas que remontam muito tempo, e eles crescem igual a bola de neve, e alimentam um círculo vicioso que propiciam sempre o favorecimento ao quadrinho estrangeiro. Poucos são os que se rebelam contra esse estado de coisas e conseguem fugir da bitola promulgada pela mídia e a mercadologia milionária. No Brasil existe uma Lei que obriga Editoras que traduzem material também publicar material nacional, mas essa Lei acaba sendo burlada. Você acha que esse seria um caminho? Deveria ser, mas nosso país é famoso por se desrespeitar as Leis, especialmente se os favorecidos são grandes grupos econômicos que conseguem comprar a tudo e a (quase) todos. Eu até confesso desconhecer o teor dessa Lei, mas se existe, deveria ser cumprida. E se não é cumprida, os infratores devem ser denunciados. Porém, nem com denúncias se toma alguma providência. Você e Velta tiveram um problema com uma editora que pretendia publicar material seu... O que aconteceu? Foi a Editora Mitsukai, a qual não conhecia, e depois vim a saber ser especializada em publicações de RPG. Ao tentarem ingressar nos quadrinhos, aconteceu esse "bode" todo. Assinei contrato com eles, porém, tal contrato não me incluía com artista exclusivo da editora, e tampouco houve nenhum acordo verbal nesse sentido. Assim, prossegui negociações de edições de Velta com outras editoras, tais como a 'Escala' e 'Ópera Graphica'. Paralelamente, desenvolvi extenso trabalho de colorização da série “Velta contra Doroti”, para a tal Editora Mitsukai. Depois de tudo pronto, e haverem recebido 12 CDs com a série completa, desistiram de publicar alegando minhas negociações com outros editores, mesmo sem haver nenhuma cláusula ou acordo de exclusividade. Alguns leitores ficaram indignados e especularam que tal atitude se deveu à falta de estrutura da editora para publicar material colorido, e por isso, usaram uma desculpa qualquer, jogando a culpa do ocorrido sobre mim. Você disse "que leitores especularam...". E você, o que acha que realmente aconteceu?
Eu concordo com a especulação dos
leitores, pois, a mesma editora lançou depois uma série que não
vingou, de nome "Ragnarok" (calcado em lendas nórdicas, a
julgar pelo título), e a dita cuja foi impressa em preto e
branco, e fica evidente que o original era colorido. Portanto,
fica mesmo parecendo que a editora não tinha cacife para por nas
bancas edições
Possível Capa para
O que podemos esperar de você e Velta nas bancas e fanzines? Para este ano de 2003, teremos a edição de luxo '30 anos de Velta', continuando as sagas iniciadas na edição dos 25 anos, de 1998. Serão 128 páginas com HQs de Velta (mais dela), Nova, Homem de Preto, Fubrape, Doroti e outros personagens. E para quem gostar de romance, ficção, e aventura – tudo junto – e sob a forma escrita, poderá encontrar no primeiro livro de bolso ilustrado de Velta, contando pormenores de sua vida e aventuras, desde o início. Com relação a fanzines, não há nada programado, por enquanto E os 30 anos de Velta? O que está planejado? Por enquanto a edição comemorativa e o livro de bolso. Há outros projetos sendo desenvolvidos, mas ainda não podem ser confirmados. Portanto, fiquemos apenas com o que já há de certo. Mas já sabemos que teremos uma edição pela Ópera Graphica... Sim, de fato, já acertei os ponteiros com a Ópera Graphica. A '30 anos de Velta' sairá através dela.
Eu não acho, afinal uso muitas referências vistas por qualquer um todos os dias, na sua casa, na sua rua, no seu bairro, e no país. É só deixar de se influenciar pelos heróis norte-americanos, esquecer aqueles termos e clichês comumente usados, e trazer as histórias o mais próximos de nós possível. De levedo estrangeiro já basta a inspiração para sua criação, a qual se deu em minha época de adolescente. Felizmente, percebi os erros e enganos muito cedo, e tratei de modificar paulatinamente a linha dos meus quadrinhos, para algo mais nosso e mais adulto. É evidente que a fantasia e a ficção não podem faltar, mas até essas são tratadas em forma e bases mais realistas. Não faço mudanças mais radicais e nem extingo os personagens porque já existe um bom público para eles, que apreciam do jeito que são, e assim, esse público tem de ser respeitado. Como se dá a criação de suas estórias? Não há um padrão a ser seguido. É muito intuitivo e livre. Costumo construir os roteiros mentalmente e quase sempre os passo direto para os desenhos. Algumas vezes, os escrevo. Você exerce outra atividade para ganhar seu sustento? É imprescindível, infelizmente. Se pudesse, viveria do trabalho com quadrinhos, mas é impossível. Você tem esperança quanto aos quadrinhos se transformarem em sua principal fonte de renda? Sendo bem realista: não tenho. Não se consegue mudar uma estrutura dessas, a não ser a longo prazo. E bota longo nisso. Você trabalhou nos USA junto ao Deodato e sozinho. Comente um pouco. A vantagem é de pagarem muito melhor e, geralmente, serem honestos quanto a isso. Mas, no geral, os editores são uns chatos abusados, a quem o desenhista ou arte-finalista tem de contentar acima de tudo. Ingressei nesse mercado em 1993, e fiz mais arte-final do que desenhos à lápis, em títulos de personagens muito conhecidos. O meu interesse foi apenas monetário, pois minha meta sempre foi trabalhar em cima de minhas próprias criações, e não de personagens estrangeiros. Você nunca foi fã de nenhum quadrinho americano? Sim. Haviam bons desenhistas, hoje sumidos das publicações. Posso citar o primeiro a me influenciar: Jack Kinby. Você e o Deodato ainda desenvolvem trabalhos em conjunto para os USA? Atualmente, não. Deodato continua fazendo isso sozinho. O meu último trabalho foi para a Chaos Comics, em 2001, e por sinal, a editora faliu e não me pagou 2 das últimas publicações das quais participei.
Não. Afinal, fazer um desenho avulso é diferente de uma HQ completa. Para a Marvel só fui aprovado como arte-finalista. Ademais, é preciso estar sempre sendo reavaliado em muitas amostras novas, que acaba sendo um trabalho demorado e sem pagamento. Depois do revés com a Chaos, deixei de fazer amostras e estou me dedicando mais às publicações brasileiras. Mas qualquer dia, deverei voltar a fazer algo, afinal, uns dólares a mais na conta ajudam... E como anda o mercado por lá? Confesso estar desatualizado. Deodato saberia responder melhor. Qual a dica que você deixa para os aspirantes a desenhistas? Não desistam por nada nesse mundo, se é essa sua vocação. E procurem sempre fazer o melhor, sendo bem auto-críticos. E não esqueçam de procurar outro emprego para sobreviver. Deixe uma mensagem para os nossos leitores? Novamente é motivo de prazer estar tendo contato com todos e poder passar alguma coisa da minha experiência. E lembrar que está na hora de voltar os olhos para os trabalhos nacionais, afinal, os personagens estrangeiros – na minha opinião – já deram o que tinham de dar. |
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Emir Ribeiro site: www.velta.blig.com.br e-mail: emir_ribeirojp@yahoo.com.br |
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