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Brasil: um país repleto de super heróis

 

Por Magno Soares

magnosoares@ligazine.com.br

Atualmente o título de primeiro país a publicar histórias em quadrinhos de maneira regular é atribuído aos EUA com a HQ ‘Yellow Kid’. Mas, Ivan Carlo Andrade de Oliveira, Mestre em Comunicação Científica e Tecnológica pela Universidade Metodista de São Paulo discorda “O primeiro trabalho de (Ângelo) Agostini com quadrinhos foi ‘As Aventuras de Nhô-Quim’. O primeiro capítulo foi publicado em 30 de janeiro de 1869, no jornal Vida Fluminense. A data, que revela claramente que somos muito anteriores aos norte-americanos (Yellow Kid é de 1896)”.

E conforme o Professor Waldomiro Vergueiro do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP, “Tudo parece indicar que os brasileiros têm motivos aos montes para se vangloriar em relação às histórias em quadrinhos. De uma certa forma, fomos nós que as descobrimos enquanto arte voltada para as massas, dedicando a elas a primeira Exposição Internacional das HQs em 1951”.

Entre altos e baixos, a HQ nacional vem se mantendo. Apesar estarem, atualmente, afastadas das bancas de jornal, existe grande produção de HQ entre os fanzines e outros meios independentes. E como ocorreu nos EUA, um dos picos da HQ nacional ocorreu na década de 60 com a criação de vários personagens e títulos, principalmente aqueles oriundos das séries de TV da época.

A seguir apresentamos algumas dessas pérolas dos anos 60 de nossa HQ. Provando que o Brasil já foi um país repleto de Super Heróis:

Capitão 7
Foi um dos primeiros heróis a sair da TV para os quadrinhos, chegando as bancas em 1959. Jayme Cortez era o responsável pela adaptação, sendo os desenhistas Júlio Shimamoto, Getúlio Delfin e Juarez Odilon, com roteiros de Hélio Porto, Gedeone Malagola e Helena Fonseca. Nos quadrinhos, os super poderes do herói não tinham limites como os impostos na TV pela falta de recursos do final dos anos 50. Assim o Capitão Sete podia voar ou levantar objetos que pesavam toneladas. Ganhando as cores azul e vermelho tornou-se o “Super-Homem brasileiro!”.

Raio Negro

Criado por Gedeone Malagola em 1965, o Raio Negro fez muito sucesso por aqui. O tenente da FAB, Roberto Sales, recebeu um anel de luz negra que lhe deu superpoderes de um alienígena salvo por ele. Jurando usá-lo para o bem, o tenente voltou a Terra assumindo a identidade do Raio Negro para combater o crime, em uma mescla de Ciclope dos X-Men (o visual) e Lanterna Verde (o uso do anel).

Vigilante Rodoviário

O Vigilante Rodoviário Carlos enfrentava todos os tipos de criminosos, acompanhado por Lobo, um cachorro muito astuto. A missão era manter a lei nas rodovias de São Paulo e veicular mensagens educativas. Depois do sucesso da TV, no início da década de 60, surgiram os quadrinhos ilustrados por Flávio Colin e Osvaldo Talo e roteiro de Gedeone Malagola seguindo o mesmo curso das da TV.

Escorpião

Por volta de 1966, a onda promovida pela dobradinha Shell/Marvel, fez surgir as revistas Mylar e Escorpião que emplacaram, mas só duraram um ano. Os desenhistas Eugênio Colonesse e Rodolfo Zalla brigaram com os editores que se negavam a devolver os originais - algo comum, que só mudou nos anos 70, quando foi criada uma nova lei de direito autoral.

O Escorpião teve duas fases. Na primeira, um plágio do Fantasma de Lee Falk. Na Segunda, deram-lhe o privilégio de ser o primeiro super-herói ecológico do planeta.

Golden Guitar

Era o ídolo da juventude brasileira, criado por Rivaldo A. Macedo no ano de 1966 e desenhado por Benedito A. Silva e Rubens Cordeiro. O personagem Renato Fortuna era um cantor de iê-iê-iê que curtia a Jovem Guarda, mas quando o perigo rondava, ele se transformava no Golden Guitar. O herói possuía uma arma sensacionalmente estranha, a Guitarra Dourada, com câmera embutida, gravador, gás lacrimejante e mais um monte de armas. Com ela, o herói enfrentava bandidos cantando músicas de Roberto e Erasmo Carlos. É um dos heróis mais engraçados e diferente. (Nota: Uma pena não termos conseguido uma imagem).

Mirza - A mulher vampiro

O Brasil tem sua própria chupadora de sangue. Mirza foi considerada ousada para sua época, mas se enganam, aqueles que pensam que Eugênio Colonnese se baseou na Vampirella de Forrest J. Ackerman. Mirza foi publicada pela primeira vez em 1967 e a Vampirella criada em 1969. Mirza não se parece com uma heroína, suas estórias têm um estilo “Drácula” de saias e decote.

A personagem sumiu e voltou diversas vezes e como é a criação favorita de Colonnese, pode reaparecer a qualquer momento, como o álbum lançado recentemente 'Mirza - A Vampira' pela Editora Opera Graphica.

   

 

 

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