Álbum:
A Hora da Horta

 

Por Ana Cruz

anacruz@ligazine.com.br

Flávio Calazans é um pesquisador que se utiliza da história em quadrinhos como instrumento para transmitir seus conhecimentos. Através da arte seqüencial, buscou compartilhar seus achados, nos presenteando com a revista ‘A hora da horta’.

A edição da revista é muito bonita, P&B, imprensa em papel pardo em um formato que lembra os ‘cadernos deitados’ da época do primário (21,5 x 14 cm), difere do ‘tradicional’. Traz três histórias (com ‘h’, pois é pura história do Brasil) que se intercalam e se complementam. Realmente, de tradicional Flávio Calazans e ‘A Hora da Horta’ não têm nada.

A visão apresentada sobre o descobrimento, a formação cultural, a colonização do Brasil foi fruto do historiador e intérprete das raízes do Brasil que é Calazans.

Eis a opinião de alguns críticos:

O Dr. Cláudio da Rocha Brito, matemático, físico, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo traduz “A Hora da Horta, de Flávio Calazans, além de uma primorosa 'história em quadrinhos', é, praticamente, nossa história (dos idos de 1500) contada em quadros”, e o Doutor em História pela Universidade de Paris, José Leonardo do Nascimento, complementa “Mas o texto de Flávio não é simples, nem simplório. Poderia ter se encerrado com as cores épicas da resistência cristã-nova, mas ele avança, e o patrimônio cultural inicial, matricial, é certo que viceja no meio exuberante, porém se altera e se modifica”.

A Hora da Horta’ além de uma revista de histórias em quadrinhos é uma verdadeira aula de história, e cumpre uma função de instrumento de informação como enfatiza o Mestre em Artes Visuais pela UNESP, Gazy Andraus, “O leitor, desatento ou não, terá sido informado, tanto no roteiro, como na arte pictória, de eventos e passagens históricas verídicas, bem como de vegetação, vestuário e costumes, fiéis ao retato da época do descobrimento sul-americano: índios (seus costumes, sua colonização pelos franceses também), portugueses (suas reais motivações na vinda à ilha de Goiaó = São Vicente), as lendas do curupira e Yara (outros nomes, como nos alerta o autor Calazans, para os mesmos elementais europeus), e acima de tudo, as quebras temporais subliminares na narativa...”

“A HQ surpreende pela pesquisa histórica do autor, ciente de sua responsabilidade, de retratar uma época, cujos dados são escassos, e os poucos documentos existentes foram exterminados por ignorância daqueles que queriam esquecer seu passado doloroso”, diz Érika Saheki, graduando em Arquitetura e Urbanismo, editora de revistas alternativas e autora de quadrinhos.3

     

>> Serviço:

A HORA DA HORTA

de Flávio Calazans. 2000, 44 páginas

site: www.calazans.ppg.br

e-mail: calazans@bignet.com.br

>> Leia a coluna de Flávio Calazans = CALAZANIANISMO

 

Anterior <<

>> Próximo

 
     

QUADRINHOS  - seu site do melhor do quadrinhos nacional
 www.ligazine.com.br/quadrinhos

2004 ® Liga Fanzine - Todos os direitos reservados