Lançamento:
HIPOCAMPO - Terceira Ocorrência

 

Por Flávio Calazans

calazanista@ligazine.com.br

No próximo Sábado, dia 26 de outubro de 2002, ás 19:00 h, na Livraria Realejo – Shopping Parque Balneário, Gonzaga / Santos – SP (esquina com a Praia do Gonzaga e Avenida Ana Costa - das palmeiras imperiais), Antônio Amaral, ganhador do troféu HQMix, estará lançando “HIPOCAMPO- Terceira Ocorrência”, álbum colorido com capa envernizada, lombada quadrada de luxo e textos de estudos por Gazy Andraus, Edgar Franco e Flávio Calazans.

Uma rara oportunidade de conhecer este genial artista plástico, designer e poeta de Teresina-Piauí, que raríssimas vezes vem a São Paulo.

A ARTE DE ANTONIO AMARAL

É para mim um prazer escrever sobre Antônio Amaral, pois conheci sua obra ainda inédita e tive a oportunidade de prefaciar outras duas publicações de seus magníficos álbuns, obras que são significativos marcos na história das histórias em quadrinhos no Brasil e no mundo.

Nascido em 1961 em Campo Maior - Piauí, hoje reside em Teresina, capital do Piauí, sendo 'free-lancer' publicitário e artista plástico. Aprendeu a ler através das HQ, que são sua paixão desde pequeno.

A obra de Amaral é uma das mais ousadas, mais radicais. Não conheço nenhum autor equivalente na Europa, Japão ou EUA.

Tive o privilégio de conhecer autor e obra, ainda inéditos, editando trechos de seu trabalho para a revista "BARATA" e prefaciando seu primeiro álbum: "Hipocampo".

Amaral desenvolveu um texto único, uma vocação para longos épicos que podem ser apresentados em episódios, lembrando a 'Geometria Fractal' e seu princípio de auto-similaridade.

Criando um vocabulário pessoal, Amaral mescla/sampleia termos técnicos do jargão da Física, Química e Neurofisiologia, passando pela Matemática e até Filosofia - tudo isto é apresentado com a maior naturalidade junto a palavras em tupi-guarani e a gírias locais e de época, bem atuais.

Seu texto é difícil de entender, exige do leitor um altíssimo nível cultural e domínio do vocabulário técnico científico, lado a lado com o plástico e literário, além de conhecimento sobre atualidades e modismos passageiros para melhor fruir a obra.

Lembra outro poeta que escapa a classificações (incertae sedis), o grande Augusto dos Anjos, que também empregava vocabulário científico em seus poemas.

Este texto exige raciocínio do cérebro esquerdo do leitor, pede por repertórios variadíssimos que passam até pela Geografia Brasileira e pelas doenças regionais, como a esquistossomose dos mangues e alagados com palafitas de migrantes (que constituem o problema social e a crítica política das entrelinhas de Amaral, são seu subtexto subliminar). Tudo sempre com bom humor.

Por outro lado, o desenho, o traço de Amaral, é o resultado de um processo de evolução da percepção visual que tende para a abstração e a economia de linhas e massas. Seu traço é minimalista, lembra o brasileiro Henfil e os europeus, como Wolinski e Sempé, um estilo que lembra a pintura zen e a arte taoísta.

Seu estilo de rabiscos velozes e manchados, alcança os limites máximos da abstração plástica, nos quais o personagem pode ser um rabisco com uma gota de tinta. O mais surpreendente, no entanto, é que o leitor consegue acompanhar a narrativa e até identificar os personagens-rabiscos. Este exercício de completar as imagens fragmentadas, elípticas, o Entimema Icônico, segue o Princípio da Totalização da Gestalt (Psicologia da Forma). É puramente exercício de Hemisfério Direito do cérebro, que leva o leitor a praticar criatividade visual.

Tal qual Salvador Dalí, com técnica cromática e traço característico de cérebro esquerdo somada a temas e conteúdos de cérebro Direito. Assim como Escher e tantos outros, Amaral equilibra as linguagens de yin e yang.

Filho e resultado de sua época, Amaral nos brinda com uma arte forte, expressiva e absolutamente radical, única em sua singularidade pessoal.

“Antônio Amaral, criou um padrão estético de abstração único, rompendo com a tradição plástica figurativa e concreta da HQ, seu texto, como o poeta Augusto dos Anjos, emprega terminologia científica da física, medicina, artes e literatura que muito habilmente mistura com folclore indígena (jabutí, jacaré) flora e fauna local, crítica social e poesia visual e verbal, criando um universo pessoal e autoral que é impar na história da HQ do Brasil; um trabalho de vanguarda exemplar.”

(Como afirmo no prefácio que fiz para este álbum e

para a segunda edição colorida em 2000).

“Antônio Amaral, do Piauí, publicou o álbum Hipocampo em 1994. Tal qual Henfil, seu traço é econômico e veloz, criando um padrão estético de abstração único, rompendo com a tradição plástica figurativa e concreta da HQ, seu texto, como o poeta Augusto dos Anjos, emprega terminologia científica da física, medicina, artes e literatura que muito habilmente mistura com folclore indígena (jabutí, jacaré) flora e fauna local, crítica social e poesia visual e verbal, criando um universo pessoal e autoral que é impar na história da HQ do Brasil; um trabalho de vanguarda exemplar”.

(Como afirmo no prefácio que fiz para este álbum)

     
 

>> Leia a coluna de Flávio Calazans = CALAZANIANISMO

 

Anterior <<

>> Próximo

 
     

QUADRINHOS  - seu site do melhor do quadrinhos nacional
 www.ligazine.com.br/quadrinhos

2004 ® Liga Fanzine - Todos os direitos reservados