Poesia:
Das profundezas anais

 

 

 

(de "Perdidos astrolábios", 1991)

 

 

Flutuo sobre
minhas dores
e meu
subdesenvolvimento.
Sou poeta?
Sou um
ser humano?
Como será
meu futuro?
Atolado no
nada, divirto-
me com
minha barba
crescente,
espessa.
Como eternamente,
secreção vaginal
é o
alimento de
minha alma.
Loiras, morenas,
ruivas, negras,
mas femininas.
E cheirosas.
E macias.
E amargas.
Falo sobre
a boceta.
Flutuo sobre
a miséria.
Flutuo sobre
sacrifícios em
todos os
níveis das
questões miserávies.
Mas a
miséria é
uma doença
invasora à
qualquer classe
social, idade,
sexo, tem
a haver
com as
profundezas da
cavidade anal,
onde tudo
entra e
nada sai,
como eu.
Flutuo sobre
a morte
das esperanças
ilusórias da
ingenuidade adolescente.
Sou poeta?
Sou um
ser humano?
A religião
tem influência
extraterrestre?

 
   

(05/11/92)
Rynaldo Papoy

 
     
 

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