Poesia:
Um beijo

 

 

 

 

 

 

Não houve um começo, apenas aconteceu.

Talvez aquele raio que cortou o céu naquela tarde de verão, onde a brisa fresca

Pairava se misturando com o frescor do mato e com aroma das flores,

Fosse um sinal.

 

Ou então aquele cenário de Monet, repleto de flores amarelas, lilás, brancas,

Vermelhas de tons inexplicáveis, com um lago de águas límpidas quase estáticas que se

Feriam pássaros líricos e cigarras exultantes.

Aquele beijo aconteceu mesmo sem um inicio, mas acredito que nunca terá fim.

Ficará perpetuado em algum lugar na lembrança.

 
 

Fora um beijo suave, ensaiado por gerações, de lábios molhados de prazer,

Compressado, onde delicadas dentadas queriam arrancar fragmentos de prazer

Convertidos em peles, se revezavam com o toque quase imperceptível da língua

Por toda boca.

Num momento amei minha boca pensando ser da pessoa amada, amei porque fora

Contaminado pelo sabor da paixão.

Talvez não existisse mais minha boca, talvez como se possível, nossas células se

Fundissem gerando uma nova vida, uma nova boca.

O mais prazeroso era descobrir através de beijos toda aquela vida.

Os beijos eram uma nova linguagem reveladora, usada pelos amantes, expressavam

Muito mais que anos de conversas usuais.

Podia–se dizer que naquela tarde eu te conheci!

 
   

 
     
 

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