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Especial Poético: |
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Por Edilene Mattos. Acadêmica. Escritora. Pesquisadora. Professora da Universidade de São Paulo. Especialista em Literatura Brasileira - Salvador-Bahia-Brasil |
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A natureza ainda não se recolheu e o vento
insiste em regressar em pleno verão. As janelas tremem, o outono já deveria
ter chegado? Não, ainda é cedo. É preciso aproveitar a presença (mesmo
imaginária) do sol para escrever sobre a luminoso e tão simples conto-poesia
de Kátia Drummond. Leio, releio, e sinto uma espécie de sossego que já não se usa mais. Uma doçura inefável! Ah! Este ardoroso texto, esta paixão feita de fatos que podem ser considerados até banais, mas onde se dá a experimentação da alegria e da tristeza a hora exata do jogo das alegorias. Ao abrir seu arquivo Paris a autora retira dele prazeres e sofrimentos, e assim faz todas as coisas passarem pelo coração. Codificando de imediato seu universo, faz da palavra um aprendizado feérico, sem desperdício. É, pois, do reencontro com o mundo, mas sob o influxo da imaginação criadora, da lucidez e do delírio, da razão e da desrazão, que nasce a criação de Kátia Drummond. Sábia, Kátia entende muito bem o poder do discurso vivo. Sábia, Kátia percebe o fascínio da palavra. Porque a palavra é seu principal instrumento. Essa palavra que é, em verdade, um mediador entre a mulher (que conta/canta/encanta) e sua experiência. Kátia Drummond, mulher do seu tempo, e dos que virão, é um estado de inspiração permanente, sempre vigilante e atenta aos pormenores. Tudo o que imaginou, sentiu, sonhou, ganha força através de uma consciência "ingênua" que não é guiada pelo intelecto: "Não vem do intelecto/ Vem da alma/ Não vem dos livros/ Vem do coração." E os fantásticos relatos de onírica realidade abrigam a experimentação do real pelo conto em forma de poesia, que pode soar estranha, porque a experimentação representada tornará sempre perceptível uma dupla realidade: subjetiva e objetiva. Aprender a viver é que é viver mesmo, dizia J.G.Rosa. A autora captou muito bem esta lição do mestre e traz à tona o mundo lúdico de vivências ricamente acumuladas no plano do sentimento, capaz até de provocar suspiros de saudades do tempo vivido, capaz de manter intocável o momento atual e capaz de fazer revelações de um tempo que virá: "Eu poetizo e conto a vida sem limites." Narcisicamente, Katia sai de seu casulo, olha-se ao espelho, desnuda-se, reflete-se e encontra-se em Paris, identificando-se com a cidade dos seu sonhos, metamorfoseando, graças a sua sensibilidade aguçada para a captação do sentimento, essa emoção cristalizada, que é a fonte geratriz do seu texto. Lúcida e lúdica, Kátia Drummond cria um espaço, e não por acaso, de encontro e similaridade entre essas qualidades nem sempre tão próximas. Coladas, aliadas, a consciência e o jogo marcam presença em seu fazer poético, onde o social e o individual reclamam sempre para si o sentimento do mundo. E aqui, Paris, é seu principal e apaixonado representante. |
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- LIVRO: LUCIDEZ PROFANA Obra editada pelo Selo: Editorial Letras da Bahia - Secretaria da Cultura do Governo do Estado da Bahia. |
- LIVRO: EXÉRCITO DE ANJOS Dedicado aos meninos e meninas que perambulam pelas ruas da cidade. Um livro de amor à vida, à natureza, às pessoas. |
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Kátia Drumond e-mail: katiadrummond@terra.com.br |
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