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Conto: |
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Por Mão Branca |
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Senti que algo estava errado. Vi o sujeito de longe. Estava de jeans e blazer. Olhava para os lados, estava calmo e andava aleatoriamente. Parei de andar. Recoloquei a chave do carro no bolso. Fingi olhar uma vitrine e fiquei espionando o sujeito. Passou-se uma hora. Eu havia entrado numa loja e o olhava por dentro da vitrine. Percebi que fez uma escolha e saiu em seu percalço. Corri atrás. Dei bastante espaço entre nós; eu não poderia ser notado. O cara pulou uma cerca de arame e correu para a rua de cima. Não pude segui-lo, ele me notaria. Corri a toda velocidade ao redor do quarteirão. Parei na esquina da rua de cima e procurei a vítima e o perseguidor. Não os vi. Andei pelo meio da rua, procurando-os. Não os achava na rua quase deserta. Apenas uns carros estacionados e casas que começavam a acender as luzes. Senti-me apreensivo. A vítima poderia estar sendo atacada naquele momento. Corri pela rua. Notei que uma casa estava com a porta encostada. Olhei pela fresta e escutei uns sons abafados. Um tapa. Gemidos. Um choro fino. Andei pelos corredores e os achei. O sujeito sobre ela. Com as calças abaixadas, metia-se lentamente entre as brancas coxas da mulher. O rosto alvo da moça estava vermelho de choro e de bofetadas. Peguei meu chaveiro com o canivete suíço e o abri. Entrei no quarto e chutei a cara do filho da puta. Ele desequilibrou-se para trás. O sangue explodiu do nariz e pingou no pau desnudo. Bati com o calcanhar novamente no nariz e ele caiu de costas no chão. Pisei em seu pescoço. Olhei a garota. Os grandes olhos arregalados chamaram minha atenção antes de ver sua boceta. Bati novamente o calcanhar no nariz do sujeito. A mulher se arrumou. Levantou-se. Olhou seu estuprador. - O que você vai fazer? - Perguntou-me. Eu não disse nada. - Ele tá desmaiado? Assenti. Ela pegou o canivete da minha mão. Decepou o pau do cara. Em meio à cascata de sangue, segurou o saco e o cortou também. Teve mais dificuldade, rasgou a pele com canivete várias vezes. O tarado se mexeu de dor. A mulher botou o pau numa mão e o saco na outra mão do sujeito. - Quando ele acordar sentirá seu sexo em suas mãos. Estremeci. Ela esperou. O homem acordou. Suas feições se contorceram de dor. Ele trouxe as mãos para o baixo ventre. Notou seus órgãos genitais nas próprias mãos. Começou a gritar. A mulher bateu com uma garrafa em sua cabeça. Ele foi ao chão e a garrafa ainda estava intacta. - Você tem carro? - Ela me perguntou. Assenti. - Traga-o aqui para você levar o corpo. - Ele não está morto. - Adverti-a. - Quando você voltar ele estará. Deixei o corpo às margens da estrada oeste, perto de uma cidade vizinha. Passei meses sem ter notícias da mulher. Cento dia a vi no centro da cidade. Senti que algo estava errado. Ela perseguia um cara. Apurei os sentidos. Vi que o cara perseguia uma mulher. |
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Mão Branca é o
pseudônimo do escritor . . ., que mora em Brasília, tem mais de 30 anos,
conhece profundamente a perversidade humana e tenta de todas as maneiras
ver-se livre das amarras da própria limitação. Gosta de Charles Bukowski e
de Wander Wildner. Mão Branca vive tomando umas nos bares da cidade mas está
sempre à paisana. |
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Mão Branca |
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