Conto:
Seu sexo em suas mãos

 

 

 

Por  Mão Branca

 maobranca@gmail.com

 

       
  Senti que algo estava errado.

Vi o sujeito de longe. Estava de jeans e blazer. Olhava para os lados, estava calmo e andava aleatoriamente.

Parei de andar. Recoloquei a chave do carro no bolso. Fingi olhar uma vitrine e fiquei espionando o sujeito. Passou-se uma hora.

Eu havia entrado numa loja e o olhava por dentro da vitrine. Percebi que fez uma escolha e saiu em seu percalço. Corri atrás. Dei bastante espaço entre nós; eu não poderia ser notado. O cara pulou uma cerca de arame e correu para a rua de cima. Não pude segui-lo, ele me notaria. Corri a toda velocidade ao redor do quarteirão. Parei na esquina da rua de cima e procurei a vítima e o perseguidor. Não os vi.

Andei pelo meio da rua, procurando-os. Não os achava na rua quase deserta. Apenas uns carros estacionados e casas que começavam a acender as luzes. Senti-me apreensivo. A vítima poderia estar sendo atacada naquele momento. Corri pela rua. Notei que uma casa estava com a porta encostada. Olhei pela fresta e escutei uns sons abafados. Um tapa. Gemidos. Um choro fino. Andei pelos corredores e os achei.

O sujeito sobre ela. Com as calças abaixadas, metia-se lentamente entre as brancas coxas da mulher. O rosto alvo da moça estava vermelho de choro e de bofetadas. Peguei meu chaveiro com o canivete suíço e o abri.

Entrei no quarto e chutei a cara do filho da puta. Ele desequilibrou-se para trás. O sangue explodiu do nariz e pingou no pau desnudo. Bati com o calcanhar novamente no nariz e ele caiu de costas no chão. Pisei em seu pescoço.

Olhei a garota. Os grandes olhos arregalados chamaram minha atenção antes de ver sua boceta. Bati novamente o calcanhar no nariz do sujeito.

A mulher se arrumou. Levantou-se. Olhou seu estuprador.

- O que você vai fazer? - Perguntou-me.

Eu não disse nada.

- Ele tá desmaiado?

Assenti.

Ela pegou o canivete da minha mão. Decepou o pau do cara. Em meio à cascata de sangue, segurou o saco e o cortou também. Teve mais dificuldade, rasgou a pele com canivete várias vezes. O tarado se mexeu de dor. A mulher botou o pau numa mão e o saco na outra mão do sujeito.

- Quando ele acordar sentirá seu sexo em suas mãos.

Estremeci.

Ela esperou. O homem acordou. Suas feições se contorceram de dor. Ele trouxe as mãos para o baixo ventre. Notou seus órgãos genitais nas próprias mãos. Começou a gritar. A mulher bateu com uma garrafa em sua cabeça. Ele foi ao chão e a garrafa ainda estava intacta.

- Você tem carro? - Ela me perguntou.

Assenti.

- Traga-o aqui para você levar o corpo.

- Ele não está morto. - Adverti-a.

- Quando você voltar ele estará.

Deixei o corpo às margens da estrada oeste, perto de uma cidade vizinha.

Passei meses sem ter notícias da mulher. Cento dia a vi no centro da cidade. Senti que algo estava errado. Ela perseguia um cara.

Apurei os sentidos. Vi que o cara perseguia uma mulher.

 
     
     
 

Mão Branca é o pseudônimo do escritor . . ., que mora em Brasília, tem mais de 30 anos, conhece profundamente a perversidade humana e tenta de todas as maneiras ver-se livre das amarras da própria limitação. Gosta de Charles Bukowski e de Wander Wildner. Mão Branca vive tomando umas nos bares da cidade mas está sempre à paisana.

Gosta de coisas simples mas limpinhas. Detesta politicagem e vive mandando tudo à merda. Gosta de futebol, mulheres, roquenrou e cerveja. Acha a cachaça a bebida dos deuses. A coisa que Mão Branca mais gosta é receber e-mails falando sobre literatura. Mande seus escritos para ele.

Quer realmente saber quem é Mão Branca? Veja esta mão! Imprima a figura. Procure pela cidade seu dono. Em tempo: ele nunca vai estar em bares que cobram couvert nem onde não o deixem entrar de bermuda e chinelo.

 
     
 

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