|
|
|
|
![]() |
Coluna (09/05/05): |
|
||
|
VIVA VOZ |
Por Henry Galsky henrygalsky@ligazine.com.br |
|||
| MORTE SEVERINA | ||
|
O presidente da Câmara Severino Cavalcanti é um desses profícuos exemplos brasileiros de personagens híbridos capazes de unir numa só pessoa tudo o que foi dito no primeiro parágrafo. Seus atos descabidos, ameaças sem fundamento ao Governo Federal e declarações assumindo que de fato favorece familiares com cargos e salários públicos tornariam tudo muito engraçado e curioso. Mas é impossível achar graça quando uma caricatura ocupa um dos mais importantes postos da hierarquia política de seu país e é responsável pelo destino de seu dinheiro. Circulou pela internet um protesto contra a proposta de Severino de aumentar o salário dos deputados de R$ 12 mil para R$ 22 mil. O panfleto virtual pedia que todos usassem roupas pretas no dia 29 de março. Como de costume, ninguém obedeceu ou fez qualquer coisa. O fato é que pouco adiantaria se vestir de preto. A cada dia me convenço de que a transferência da capital para Brasília, há exatos 45 anos, foi uma grande estratégia política. Imaginem se a capital continuasse por aqui e Severino e sua gangue estivessem a apenas alguns metros de tomates e outros objetos a serem arremessados? Ou então que sua residência oficial ficasse na cidade e pudéssemos impedi-lo de dormir? A democracia prevê determinados riscos e o "Fenômeno Severino" é o exemplo mais contundente disso. Foi eleito para o cargo como manda a lei. Recebeu 300 dos 498 votos dos deputados presentes na Câmara. Sua maior promessa de campanha era a de aumentar o salário de seus pares. Não se pode chorar pelo leite derramado e não se pode negar a honestidade de Severino. Tinha uma proposta clara - aumentar seu próprio salário e de seus colegas deputados - apesar de não interessar ao país. Mas, após sua eleição, está claro também que os deputados não se importam muito com os chamados interesses da população. Que, por sinal, os elegeu. Apesar do tempo não voltar atrás, acho válido tentar descobrir quem são os culpados por esta tragédia política. Vale como lição. Além do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), que dividiu os votos de seu partido em dois (entre ele e o candidato oficial do governo, Luiz Eduardo Greenhalgh), vale o registro de que 28 deputados do PSDB votaram em Severino apenas para evitar que o PT assumisse a presidência da Câmara. Apesar de acreditar que este tipo de mal criação não deveria ter lugar quando estão em jogo os interesses de 170 milhões de pessoas, tenho consciência de que não há nada que se possa fazer. Pelo menos antes das próximas eleições. Severino vai presidir a Câmara dos Deputados até o final de 2006. Por este período os nossos bravos representantes políticos serão comandados por uma figura que representa o que de pior surgiu na política brasileira desde que José Sarney sucedeu o General João Batista Figueiredo na Presidência da República decretando o fim da ditadura. Esperamos ressuscitar a moral política do Brasil no final do ano que vem. Até lá viveremos o período da morte Severina. Afinal, como escreveu João Cabral de Mello Neto, "E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida)". E enquanto o Severino de lá torra R$ 30 bilhões dos cofres públicos, os Severinos daqui continuarão a morrer "severinamente". |
|
|
||
|
Henry Galsky Henry Galsky é jornalista, carioca e um apaixonado pelos livros e pelas Relações Internacionais. Atualmente, trabalha no canal a cabo GNT / Globosat. Gosta de discutir, mas só se arrisca a opinar quando acha que tem um certo conhecimento sobre o assunto em questão. Também cursa pós-graduação em Estratégias de Negociações Internacionais, na Universidade Candido Mendes. Seu objetivo profissional é trabalhar com Jornalismo Internacional. Envie seus comentários: henrygalsky@ligazine.com.br |
||
|
|
Cinema (LIGA FANZINE) - O fantástico mundo das tela |
|
||