RESENHA:
O Pacto dos Lobos

 

 

Por Renato Rosatti
e-mail: rrosatti@ig.com.br

 

  É sempre interessante acompanhar uma produção com elementos de horror produzida fora dos Estados Unidos. Nesse caso, trata-se do filme francês O Pacto dos Lobos (Le Pacte des Loups), que estreou nos cinemas brasileiros em 14/06/02. Com direção de Christophe Gans, a história mescla ação, lutas marciais, violência, suspense e situações supostamente sobrenaturais, ambientada no interior da França no século XVIII, onde uma enorme fera semelhante a um lobo está atacando violentamente os aldeões, causando pânico e terror com muitas mortes, principalmente de mulheres.

O roteiro é baseado numa suposta lenda local francesa, a "Besta de Gevaudan”, onde dezenas de pessoas foram brutalmente assassinadas por uma criatura desconhecida, entre os anos de 1764 e 1767, no período governado pelo Rei Luis XV, e as razões das mortes, na verdade nunca foram descobertas. No filme, o rei envia um cavalheiro responsável pelos jardins do reino, Gregoire de Fronsac (interpretado por Samuel Le Bihan), juntamente com seu “irmão de sangue”, o índio da América do Norte Mani (Mark Dacascos, um ex-campeão de artes marciais), para o vilarejo de Gevaudan com o objetivo de caçar a fera que está aterrorizando a região. Após um tempo eles se convencem não se tratar de um lobo normal e passam a enfrentar a intolerância do povo local além de obstáculos políticos e religiosos. Fronsac acaba se apaixonando pela bela aristocrata Marianne de Morangias (Emilie Dequenne) e toma contato com uma misteriosa prostituta italiana Sylvia (Monica Bellucci), que na verdade está no vilarejo com objetivos muito maiores que apenas vender seu corpo, e também com o irmão de Marianne, Jean-François (Vincent Cassel), um caçador implacável e suspeito pelos acontecimentos macabros envolvendo a fera e suas vítimas. Após muita ação, correrias, lutas movimentadas e fascinantes, mortes e sangue, o mistério da lenda local vai tomando forma e evidenciando uma sociedade secreta e conspiração política e religiosa para a tomada do poder na França.

Como curiosidade temos uma cena onde Fronsac ajuda uma camponesa doente que está tendo uma convulsão, espumando pela boca, ao colocar o cabo de uma faca em sua boca para impedir que a língua se dobre e cause o sufocamento, até a moça voltar ao normal do ataque. Enquanto ele estava tentando salvar a moça de um problema de saúde, os outros aldeões estavam gritando que ela estava na verdade possuída e era uma feiticeira, fato que era rotineiro naquele período mórbido da humanidade onde muitas pessoas inocentes foram executadas por supostas relações com o demônio e práticas de bruxaria. Outras seqüências muito interessantes são todas aquelas em que Mark Dacascos no papel do índio Mani mostra suas habilidades em artes marciais, em momentos muito agitados de lutas.

O Pacto dos Lobos”, apesar de longo em seus 142 minutos de projeção, e ambientada numa época e local específicos, é uma grande produção francesa digna do melhor cinema de entretenimento, com bela fotografia das florestas européias e interessante história de uma lenda envolvendo uma criatura feroz, brutais assassinatos e
conspiração política.

 
 

 

 
 

O Pacto dos Lobos (Le Pacte des Loups)
142 minutos - França, 2001
Estúdio: Le Studio Canal+ / TF1 Film Productions / Davis Films /
David Films / Eskwad / Natexis Banques Populaires Images /
Studio Images Soficas

Direção: Christophe Gans; Roteiro: Stéphane Cabel e Christophe Gans; Produção: Richard Grandpierre e Samuel Hadida; Música: Joseph LoDuca; Fotografia: Dan Laustsen; Desenho de Produção: Guy-Claude François; Direção de Arte: François Decaux e Thierry François; Figurino: Dominique Borg; Edição: Xavier Loutreuil, Sébastian Prangère e David Wu. Elenco: Samuel Le Bihan (Gregóire de Fronsac); Vincent Cassel (Jean-François de Morangias); Emilie Dequenne (Marianne de Morangias); Monica Bellucci (Sylvia); Jérémie Rénier (Thomas d'Apcher); Mark Dacascos (Mani); Jean Yanne (Conde de Morangias); Jean-François Stévenin (Henri Sardis); Jacques Perrin (Thomas d'Apcher - velho); Johan Leysen (Beauterne); Bernard Farcy (Laffont)

 
     
 

>> Leia a coluna de Renato Rosatti: 'Na Solidão da Noite'

 
     
   

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