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RESENHA: |
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Por Janus Mazursky |
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Os EUA cultivam em seu imaginário coletivo um
mortal complexo de inferioridade com relação à Europa. O 'Velho
Continente' é percebido como a terra da sofisticação, da alta cultura,
da erudição, do bom-gosto, da história, da tradição e da antiguidade. Na
cultura americana, essa inveja enrustida se metamorfoseia, como tentativa de
auto-afirmação, no elogio da truculência. Os americanos elaboram sua cultura
como uma resposta arrogante à européia, com pífios resultados. O que é o
pragmatismo comparado ao idealismo alemão, ao iluminismo francês ou ao
existencialismo?
O herói americano, diante do enigma da esfinge, saca o revolver e responde à bala. Ele se acha mais inteligente por isso e tem orgulho de sua reação pronta e imediata, simples e direta, de quem não leva desaforo para casa. O elogio dessa forma de comportamento subjaz a todo produto cultural americano urdido em resposta a um original europeu. “Triple X” é uma resposta a 007. Uma versão americana do agente secreto mais famoso do mundo. Se bem que 007 já está bem americanizado depois de suas mais recentes aparições. Mas de qualquer maneira, o mito com o qual "Triple X" dialoga é a figura clássica do agente secreto culto, elegante, sedutor, bafejado pela sorte, que sabe usar de força e sempre se dá bem no final, mas sem desalinhar o terno.
Na essência, Xander Cage continua sendo o mesmo rebelde truculento e auto-suficiente. Mas o envolvimento com a agente secreta russa torna-o maleável a um certo idealismo, prontamente explorado por seu superior da CIA. A 'radicalidade' a serviço da pátria e do romance. Aqui entra um segundo conteúdo do filme, paralelo ao elogio da truculência, que é a instrumentalização da pseudo-ideologia da juventude rebelde pelos interesses do poder militar americano. 'Tio Sam' quer você para o exército, ainda mais se você for musculoso, careca, tatuado, com piercings pelo corpo e miolos faltando.
O exército é 'heavy-metal'. Detonar traficantes colombianos, terroristas afegãos ou comunistas brasileiros é diversão garantida e saudável para a juventude americana. Fora com esses palhaços mal-agradecidos do 3º mundo que querem destruir o planeta! Crentes em sua inocência fundamental, os americanos seguem fazendo filmes em que seus heróis relutantes e improváveis derrubam toda lógica, toda sutileza, toda historia, em nome dos valores americanos, e agora, em nome do rock n’ roll. |
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Triplo X (XXX) Direção: Rob Cohen; Roteiro: Rich Wilkes; Produção: Neal H. Moritz; Música: Randy Edelman; Fotografia: Dean Semler; Desenho de Produção: Gavin Bocquet; Direção de Arte: Jonathan Lee e Brad Ricker; Figurino: Sanja Milkovic Hays; Edição: Chris Lebenzon e Paul Rubell; Efeitos Especiais: Digital Domain / Makeup & Effects Laboratories Inc. Elenco: Vin Diesel (Xander Cage / XXX); Samuel L. Jackson (Gibbons); Asia Argento (Yelena); Joe Bucaro III (Virg); TeeJay Boyce (Janelle); Marton Csokas; Michael Roof; Danny Trejo; Eve |
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>> Janus Mazursky é Bacharel em Ciências Sociais pela Fundação Santo André e Graduando em Filosofia pela FFLCH-USP |
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Cinema (LIGA FANZINE) - O fantástico mundo das tela |
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