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RESENHA: |
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Por Janus Mazursky |
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De
vez em quando, os executivos de Hollywood cometem grandes bobagens.
Na ânsia por faturar alguns milhões de dólares com o prestígio de filmes
importantes, armam-se continuações fajutas, que não contam com o mesmo
impulso criativo autêntico do original. Criam-se verdadeiros 'frankensteins'
cinematográficos, filmes de gabinete, onde um produtor contrata um diretor,
um roteirista e um elenco e os coloca no liquidificador dos estúdios, na
esperança de que dessa alquimia surja algo tão lucrativo quanto o filme que
está sendo imitado. O resultado é o desastre, como bem sabem os aprendizes
de feiticeiro. 'Hannibal' é um desses casos. Junta-se um
Ridley Scott preguiçoso com um Anthony Hopkins
canastrão e um Gary Oldman patético para produzir um 'trash'
vexaminoso. Um filme que fica a anos-luz de distância do já clássico
'Silêncio dos Inocentes'.De vez em quando, os executivos consertam a bobagem que fizeram. Uma série que parecia morta e enterrada por um segundo filme horroroso é ressuscitada e volta a ser interessante por força de um terceiro filme que retoma o espírito do original. 'Dragão Vermelho' é um desses casos. Junta-se um diretor regular e esforçado como Brett Ratner, o sempre ótimo Eduard Norton, um relaxado Anthony Hopkins, um competente elenco de apoio com Harvey Keitel, Emily Watson, Ralph Fiennes e Phillip Seymour Hoffman e tem-se um excelente suspense policial.
Mas a idéia também não é essa. O dr. Lecter é preso logo no início do filme. A situação a ser explorada é praticamente a mesma de 'Silêncio dos Inocentes', em que o psiquiatra psicopata colabora com a polícia para ajudar a elucidar os crimes de outro serial killer. A diferença é que se trata do próprio policial que o prendeu. Uma das teses do dr. Lecter sobre o assassino é de que ele está evoluindo, está aprendendo com seus crimes, tornando-se mias letal e perfeito entre uma carnificina e outra. Podemos aplicar a tese para o próprio Thomas Harris. O conceito do "psiquiatra-psicopata-que-auxilia-um-policial" estava ainda em desenvolvimento nesse 'Dragão Vermelho', chegando à sua elaboração mais perfeita somente no livro seguinte, que deu origem ao 'Silêncio dos Inocentes'. O primeiro livro, que é o terceiro filme, é um ensaio para a verdadeira obra-prima. Um ensaio que já revela excelentes qualidades, mas ainda não está completa. Talvez o que falte a esse 'Dragão Vermelho' para concorrer com seu primo mais famoso seja um pouco da complexidade psicológica que há em 'Silêncio'. O autor encontrou um mote genial, mas ainda não o desenvolveu plenamente. O dr. Lecter não analisa o policial que o prendeu como faz com a agente Sterling, que viria consultá-lo depois. A relação entre os dois não é tão bem desenvolvida. Não é tão fundamental para a resolução da trama, não é tão catártica quanto seria para a agente Sterling.
A fórmula ainda estava em maturação, mas já era poderosa. Trata-se ainda de um ensaio, mas nem por isso o espectador sai ileso do cinema. O 'Dragão Vermelho' pode não ser um competidor à altura do 'Silêncio, se se quiser saber qual dos dois filmes é o melhor. Mas trata-se mais de um caso de verdadeira continuação, de relação autêntica entre dois argumentos, do que de uma continuação caça-níqueis daquelas a que estamos habituados. |
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Dragão Vermelho (Red
Dragon) Direção: Brett Ratner; Roteiro: Ted Tally, baseado em livro de Thomas Harris; Produção: Dino De Laurentiis e Martha Schumacher; Música: Danny Elfman; Fotografia: Dante Spinotti; Desenho de Produção: Kristi Zea; Direção de Arte: Steve Saklad; Figurino: Betsy Heiman; Edição: Mark Helfrich. Elenco: Anthony Hopkins (Hannibal Lecter); Edward Norton (Will Graham); Ralph Fiennes (Francis Dolarhyde); Emily Watson (Reba McClane); Mary-Louise Parker (Molly Graham); Harvey Keitel (Jack Crawford); Philip Seymour Hoffman (Freddy Lounds); Anthony Heald (Dr. Frederick Chilton); Robert Randolph Caton (Patrono do museu); Barbara Kerr Condon (Avó Dolarhyde); Tyler Patrick Jones (Josh Graham); Ken Leung (Lloyd Bowman); Anthony Reynolds (Rankin); Tom Verica (Sr. Leeds); Ellen Burstyn (Sra. Dolarhyde - voz) |
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>> Janus Mazursky é Bacharel em Ciências Sociais pela Fundação Santo André e Graduando em Filosofia pela FFLCH-USP |
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Cinema (LIGA FANZINE) - O fantástico mundo das tela |
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